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  3. Sou deficiente amigo, o que te aconselho eu não vivo.
    Otávio L. Azevedo  (via antiigos-manuscritos)
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  5. Bobo eu, que vivi uma devoção não correspondida.

    Bobo eu, que preferi lidar com as frustrações do que com as expectativas.

    Bobo eu, que nadei na vontade e me afoguei nas dúvidas.

    Bobo eu, que guardei pra mim a ânsia de articular alguns dizeres.

    Bobo eu, que vendi brilho nos olhos por miséria.

    Bobo eu, que agora sei a valia de ter sido bobo pelo menos uma vez na vida. E principalmente, aprendido a não ser bobo, sendo bobo…

    (Frederico Elboni)

  6. Seus óculos amplificam diamantes em retina

    Os céus ecoam em flashes

    Seus olhos nos cobrem a noite

    Marilyn Monroes em set’s

    Por que tanta tristeza?

    Por que tantas lágrimas?

    Você é linda chorando

    Sinto a força da natureza

    E não sou digno de tal nobreza

    Poder te ver faz eu me sentir um rei

    Ao mesmo tempo é tão errado, um fora da lei

    Você é a pesquisa em amor de estudo

    O paradoxo, contraditório, o não e o sim

    Eu diria: “É público e notório.

    Ela é o começo, é tudo e o fim”.

    E nunca diriam que errei

    Mas o que eu sei?

    O que eu sei?

    Luzes brilhantes.

    Nos deitamos a tarde

    Escondidos na terra dos amantes secretos

    Me deixa explorar o universo

    Cada estrela, cometa, cada verso

    Cada detalhe, certo, paralelo, inverso

    Galáxia, colapso, o oceano mais profundo, submerso

    Respira como o vento, me abraça com as pernas

    Et momentum

    Quebramos todas as regras

    Então o êxtase e a vertigem

    Sentimos a vida e a morte

    Somos fracos e fortes

    Estamos acima da vida e da própria morte

    La petit mort.

    (Thiago Ferraro)

  7. Você vai foder comigo?
    Permaneça em nosso silêncio e apenas
    respire comigo.
    Deixe nossos corações baqueados baterem e
    espancarem nossos peitos.
    Deixarei suas mãos viajarem o quão longe
    elas imploram.
    Nós podemos sonhar juntos debaixo 
    desses lençóis de algodão enquanto 
    desenha brincadeiras no meu cabelo.
    Beijos brincalhões não me deixam mais esperando.
    As estrelas brilham através da cortina florescente, 
    ao céu infinito.
    Eu nunca quis que esse momento acabasse.
    Deixe-nos viver e permanecer assim para sempre.
    Que o nosso amor cubra-nos no amor.

    (Chloe Mitchell)

  8. Eu sou míope e estrábico. Bem-vindo, Frederico – clamam em voz alta as pessoas que frequentam a seita dos míopes e estrábicos. Olho para todos aqueles olhos repletos de reflexos e encho a boca para dizer que uso óculos desde os 3 (três) meses de idade – sim, é verdade. Todos me olham com dó e criam em si toda uma história de vida como se eu fosse um ser melindrado.

    Hoje, ao acordar, a primeira reação que tenho é esticar a minha mão direita perto do criado-mudo tateando, e derrubando, tudo que está em cima dele à procura do meu óculos. Já quando criança, franzina e cabeçuda, meus amigos diziam que eu tinha quatro olhos – o que sempre me pareceu um motivo para sentir-me especial. Até porque, eram raras as crianças que poderiam usufruir das suas visões de raio x com intuito de descobrir a cor dos mamilos das professoras. Mentira, nunca fiz isso. Mas seria uma boa. Durante toda minha infância usei tampões para diminuir meu estrabismo, e ainda minha mãe mudava semanalmente os móveis do meu quarto de lugar para eu me acostumar a olhar para todos horizontes de forma correta.

    Além de que eu era uma peste. Sabe aquelas crianças que parecem estar ligadas na tomada? Eu adorava brincar, pular, girar e todas essas derivações, e, com certeza, a frase que eu mais dizia era: podes segurar meu óculos? Para eu poder ir ao mar, para eu pular na cama elástica, para eu brincar de lutinha, para eu poder ser eu.

    Na minha adolescência era engraçado observar quando eu ia à uma festa, ou caía lá de paraquedas, e em meio à multidão, brotava um cara aleatório com cara de paisagem e óculos. E que homem, em sã consciência, vai à uma festa de óculos? Eu, claro. Então, nessa competição entre belezas estereotipadas tive que aprender a compensar a minha pouca aceitação visual com conversas que arrancam gargalhadas e, às vezes, orgasmos.

    Várias pessoas já me olharam com aquela cara de batata sorriso, como se tivessem na ponta da língua a solução da paz mundial, ao me perguntar: Por que você não faz cirurgia? Mas, por incrível que pareça, eu nunca quis fazê-la, sempre achei que esse fosse o meu charme. Pois, quando eu era pequeno minha professora – digna dos meus melhores abraços, olhares sinuosos e paixões platônicas – me disse que qualidades conquistam, mas que defeitos também conquistam. E mesmo sendo um possível placebo eu acreditei. E acredito até hoje. E seria legal se me deixassem morrer acreditando.

    A verdade é que hoje compreendo de corpo e alma pessoas que usam óculos, e digo mais, acho lindo mulheres de óculos que assumem suas verdades e mostram com veemência o quão conseguem me deixar louco ao usar hastes na face. Sim, eu tenho um completo tesão por mulheres que usam óculos. Não por simplesmente usarem óculos, mas, por saberem conviver e desprenderem-se de toda essa ditadura da beleza.

    Hoje, confesso, que me apaixono quando vejo crianças com aqueles óculos fundo de garrafa, ou com tampão cobrindo os olhos, como usei durante toda a minha infância. Elas me passam uma fragilidade e um carinho muito grande. É como se eu me visse ali, serelepe e sorridente por uma vida toda que me aguardava repleta de charme e vivências. Esses dias sentei com elas num colégio estadual que estava palestrando, e uma delas me disse que não gostava de usar óculos, pois disse que as princesas não usam óculos. Naquele momento me vi ali, com as mesmas inseguranças e incertezas de um mundo que cobra tanto de nós. Contei a ela uma história de que a princesa mais bela do meu reino sempre usou óculos e assim, me conquistava dia após dia. Ela encheu os olhos de lágrimas e esboçou o sorriso mais gostoso do mundo, aquele que não tem dentes perfeitos e lábios alinhados, mas tem verdade. Naquele dia aprendi que tirar as inseguranças das pessoas com palavras boas é uma das melhores sensações do mundo.

    Então, se eu pudesse sentar-me, novamente, a frente dessas crianças que usam óculos, eu diria bem pertinho do ouvido de todas elas que nós podemos ser o que quisermos. E que estamos juntos nos sorrisos. E claro, nos olhos.

    (Frederico Elboni)

  9. O sorriso é uma jornada. Da boca aos olhos. Dos olhos, à alma.
    Bruno Lima. (via desalojado)
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